No grande mercado das aplicações, vender já não é um caminho fácil

No topo, um pequeno grupo concentra grande parte da riqueza e, graças a isso, tem os recursos para fazer ainda mais dinheiro. No outro extremo, muitos tentam a sorte, mas não ganham nada, ou quase nada. Os do meio, por seu lado, deparam-se com cada vez mais dificuldades para ter um rendimento que lhes permita chegar ao mês seguinte.

A descrição parece a que frequentemente é feita sobre as economias ocidentais. Mas, neste caso, é o retrato das lojas de aplicações para telemóveis e tablets, feito pela consultora VisionMobile, que entrevistou mais de dez mil criadores em 137 países. Continuar a ler

Às vezes, ser empreendedor é como ser garimpeiro

Quando João Romão, fundador de uma startup chamada GetSocial, abre a porta, percebe-se que muito mudou desde a última conversa com o PÚBLICO, em finais de 2012. O espaço, uma sala ampla (mas despojada de qualquer luxo) num quinto andar próximo da Avenida da Liberdade, é muito maior do que a estreitíssima sala que a equipa tinha na StartUp Lisboa, uma incubadora de empresas na baixa. João Romão, de 25 anos, está vestido de forma mais formal. O discurso é fluído, próprio de quem se habituou a falar em reuniões. Percebe-se logo que muito se passou desde que em 2012 fundou uma empresa que rapidamente se revelou um fracasso. Continuar a ler

“Educação e competências é o que conta para criar empreendedorismo”

Entrevista a Cliff Reeves, director da Microsoft Ventures

Portugal tornou-se o 22º país a ter uma parceria com a Microsoft Ventures,o braço da multinacional americana que tem por missão apoiar startups. A ligação surge pela Startup Braga, um acelerador de empresas recém-lançado pelo ex-secretário de Estado Carlos Oliveira.

Em conversa com o Público, num antigo quartel da GNR em Braga que serve de espaço de trabalho para as startups, o director da Microsoft Ventures, Cliff Reeves, argumenta que as qualificações e as competências são o factor-chave para criar um sistema propício a empreendedores. Por isso, e entre elogios à qualificação da força de trabalho portuguesa, diz que o Governo deve continuar a aposta que o país fez na educação. Continuar a ler

“Não vamos criar inteligência a sério nos próximos tempos”

A Siri é a aplicação que serve de assistente pessoal no iPhone e no iPad. É provavelmente o mais próximo que existe no mercado de Samantha, o software ultra-inteligente a que Scarlett Johansson dá voz no recente filme Uma História de Amor, no qual um homem se apaixona por um sistema operativo. Um dos criadores da Siri, Adam Cheyer, esteve em Lisboa, para falar de empreendedorismo, numa conferência chamada Go Youth.

Cheyer trabalhou vários anos como investigador na área da inteligência artificial e foi director no maior projecto nesta área feito nos EUA, financiado pelo Departamento de Defesa. Em 2007 criou a empresa por trás da Siri. Em 2010, juntamente com os outros fundadores, vendeu-a à Apple por 200 milhões de dólares. Numa entrevista ao PÚBLICO, explicou que não estamos sequer perto de criar inteligência artificial da forma como as pessoas tipicamente a concebem e que a Siri está muito longe de poder ser uma Samantha. Continuar a ler

“Não nos vamos tornar idiotas só porque podemos fazer pesquisas”

Jimmy Wales, o mais mediático fundador da Wikipedia, é conhecido por ter deixado dinheiro em cima da mesa. A enorme enciclopédia online, que existe em mais de 200 línguas e tem a ambição de se tornar num repositório de todo o conhecimento humano, não tem fins lucrativos e está registada como uma instituição de caridade.

Wales – que ganha dinheiro com um negócio de sites ao estilo da Wikipedia para temas específicos, como séries de televisão – juntou-se agora a um outro projecto, ainda em fase inicial: um operador de comunicações que promete dar 10% da factura de cada cliente, e 25% dos lucros, a instituições de caridade à escolha dos utilizadores. Para isto ser possível, a empresa vai gastar pouco dinheiro em publicidade e esperar que a mensagem se espalhe pela Internet. Por ora, a People’s Operator funciona apenas no Reino Unido. Wales, um americano de 47 anos, mora em Londres, casado com uma executiva de relações públicas que foi secretária de Tony Blair.  Continuar a ler