A Apple apresentou recentemente dois computadores que já possuem processadores Intel: o portátil MacBook Pro e o novo modelo da gama iMac.
A aposta da Apple em abandonar os seus históricos processadores IBM parece ter sido ganha. A imprensa especializada está cheia de análises favoráveis, que atestam a superioridade dos novos computadores e do software da Apple redesenhado para correr em Intel. Poderá isto significar que a Apple vai conseguir morder mais uma fatia do bolo da Microsoft?
A empresa de Bill Gates não tem mostrado sinais positivos nos últimos tempos. O Windows Vista, que deverá ser lançado por volta do Natal, sofreu significativas alterações em relação ao plano original, apresentado em 2003.
A decisão de lançar o novo sistema no final do ano acabou por fazer com que a Microsoft abandonasse algumas das características que tencionava implantar, entre as quais um novo sistema de ficheiros. Neste campo, a Apple, com o seu Mac OS X Tiger, marcou pontos no final de 2005, altura em que este recebeu vário galardões de melhor sistema operativo.
A Microsoft, no entanto, tem os pés bem firmes no terreno do software. A Apple sabe disso e acordou recentemente, e por um período de cinco anos, a continuação do Microsoft Office para Mac. Além disso, anunciou também que nada fará para impedir que os utilizadores instalem o Window em Mac’s. A jogada é inteligente. Para conquistar mercado, a Apple precisa de ter software de qualidade para o seu sistema operativo e o Microsoft Office é largamente superior ao Apple Works.
Por outro lado, permitir a instalação de Windows em Mac’s nem sequer belisca a empresa. Os Mac’s são vendidos com sistema operativo incluído e serão muito poucos – eventualmente, só os curiosos e entusiastas – que se darão ao trabalho de tentar instalar o Windows quando têm um computador pronto a usar com aquele que muitos especialistas já chamaram o melhor sistema operativo do mundo. Pior será se a nova versão do Tiger para Intel for pirateada e passar a correr em PC’s…
Em Portugal, a Apple tem conseguido atrair compradores à custa do popularíssimo iPod e houve também, recentemente, uma pequena febre em relação aos iBooks.
À medida que a tecnologia se torna de uso quotidiano, as pessoas deixam de querer apenas computadores (ou leitores de MP3, ou o que quer que seja…) – querem objectos de design cuidado e que se adaptem a um estilo de vida que idealizam sofisticado e urbano. Quando até as relações sociais são cada vez mais dependentes de um computador (o VoIP tem tido um sucesso razoável o o instant messaging explodiu nos últimos tempos), um computador cinzento com um sistema operativo de estética descuidada (os themes do WinXP são globalmente mal conseguidos) é tudo menos apelativo. E este é o terreno da Apple.




