No artigo Nós, a Rede, que fiz para o Público, evitei cuidadosamente usar a expressão Web 2.0. Referi a segunda geração da Web e referi-me à Web social como parte daquela. Porquê? Porque, na minha opinião, Web social e Web 2.0 não são a mesma coisa; e foi-me pedido especificamente um artigo sobre Web social.
Foi, claro, complicado falar de Web social quase sem falar de Web 2.0, tal como foi complicado falar de Web social sem abordar a rede extra-Web: telemóveis, e-mail, instant messaging…
A definição de Web 2.0 está longe de estar fixada (a descrição de O’Reilly, de que Alex Barnett faz uma interessante revisão, tem sido uma referência). Torna-se, por isso, complicado dizer que Web 2.0 e Web social não são a mesma coisa, quando o conceito não tem uma definição unívoca.
Evitando entrar em teorizações, vou antes dar alguns exemplos concretos.
O Netvibes (uma fantástica página personalizável que permite ler feeds RSS, aceder ao e-mail, ter à mão os motores de busca preferidos, etc) é, sem dúvida, uma aplicação da Web 2.0. Mas dificilmente se poderá dizer que este é um site da Web social.
O Netvibes permite aceder a blogs e ler o e-mail, mas o objectivo não é pôr pessoas em contacto. Trata-se de uma aplicação construída para uso individual.
Outro caso são os editores de texto web-based. Permitem, é certo, a partilha de ficheiros e o trabalho colaborativo. Mas isso também pode ser encontrado nas aplicações de desktop (no Microsoft Word, por exemplo: Tools > Online Collaboration). O que essencialmente distingue o Writely do Word é o facto de o primeiro poder ser acedido através de um browser.
Muitas mashups são outros bons exemplos de aplicações da Web 2.0 que não têm lugar na categoria de sites da Web social. O Chicago Crime junta os Google Maps e uma lista de crimes ocorridos em Chicago. Ora, não há aqui nada de social no sentido de Web social.
Não vou tentar esboçar uma definição de Web 2.0. Sublinho, apenas, que os sites que permitem que as pessoas socializem de formas diversas (e inovadoras) - Flickr, Del.icio.us, Digg, My Space, só para referir os mais conhecidos - são apenas uma parte daquilo que enforma esta segunda geração da Web.





Your post got me thinking.
Web2.0 is about viewing the world as lots of different types of people with different opinions and ways of viewing the world and making the connections between them. You have the paradox of technology being both a very individual experience and a very social one.
Web2.0 is both about the individual (busy creating their individual Ajax workspace) and the social connections between all the individuals. Social networking (a human endeavour) is a way of using those technologies (the social Web) to make connections …
Web1.0 mindset was more about broadcasting your message to a greater number of people. It was about turning an individual experience more transparent. Web 2.0 is about connecting the changing sets of relationships between people and representing them as both a shared and an individual experience.
I wonder if that makes sense. I’m going to think about it more.
Comentário por Beverly Trayner — Abril 20, 2006 @ 11:22 am
Como apontou Rui Bebiano num texto muito interessante intitulado “Cibercultura e novas fronteiras da comunicação social”, o uso da ferramenta na Web é eminentemente individual (o texto é de 2000), incompatível, portanto, com a possibilidade de uma cibercidadania.
A meu ver, uma dica muito interessante para se tentar compreender o fenómeno da Web Social.
Comentário por João Pedro Pereira — Abril 22, 2006 @ 1:57 pm
I would like to read the entire article. I have difficulty in seeing how you can view it as something only individual.
Comentário por Beverly Trayner — Abril 25, 2006 @ 9:45 pm
“Cibercultura e novas fronteiras da comunicação social”, in Rumo ao Cibermundo?, org. de Carlos Leone, Lisboa, 2000, Celta, pp. 115-139.
Deve ser possível encontrar numa livraria ou biblioteca.
Comentário por João Pedro Pereira — Abril 26, 2006 @ 12:00 pm
[…] Web, seja ela denominada Web 2.0, Web Social, ou simplesmente, como refere o João Pedro Pereira “segunda geração da Web†está o aparecimento de novos meios de comunicação, normalmente designados por Social […]
Pingback por lisbonlab » Blog Archive » Os social media em Portugal — Junho 4, 2008 @ 6:18 pm