Para fazer um texto que saiu no Público de hoje, pedi a Francisco Rui Cádima e Célia Quico que imaginassem o que será a televisão daqui a 50 anos. Eis os interessantes resultados:
(e-mail para CF., Campo Maior, 2057.03.07, 17:57:34), Francisco Rui Cádima
Tentei ligar-te, mas estavas imersiva. Ainda estou na plataforma ibérica e aguardo o módulo de sensores para a Ota, para poder trabalhar. Depois apanho o Maglev para Lisboa. Já tenho na ‘tablet’ os arquivos disponíveis da história da RTP até 2026 (ano em que a empresa fechou).
Amanhã dou uma conferência sobre o ‘branqueamento’ histórico das comemorações do 50º aniversário. Monto as imagens no caminho. Quando te desconectares vai à minha velha BD e manda-me para a ‘tablet’ todos os ficheiros (são poucos) sobre o que na altura eles passavam de ’serviço público’. Outra coisa: há novidades sobre extensões da mente para ‘wearables’. Falta pouco para poderes activar o ‘eye/am’ dos sistemas e teleportar dados ou navegar, só com a acção do cérebro, nos agregadores tópicos, nos Ichannel, etc. Fiz a experiência com novos écrãs de incrustação e resulta. Ciao.
Olha. a BrainWaves diz que a nationalgeographic.com está em directo com a subida das águas na Baixa pombalina, junto ao teatro D. Maria. Bolas, hoje já não jantamos no Nicola… Como tinhas falado em ver aquele Mankiewicz com a Elizabeth Taylor e a Hepburn - o Suddenly, Last Summer (já lá vão 100 anos!), vemos esse. Importa por VOD que a rede não anda boa. E prepara o ecrã gigante da sala… Estou aí às 9h. Bjs, R.
2057, 7 de Março, Célia Quico
É quase pôr-do-sol. Numa praia na ponta ocidental da Europa, está uma senhora com pouco mais de oitenta anos de idade, acompanhada por uma adolescente:
- Avó, era verdade que no início do século todos tinham que esperar por horas pré-definidas por meia-dúzia de pessoas para poderem ver conteúdos de vídeo linear e em duas dimensões? Que tristeza…
- È verdade. Havia horários fixos para o acesso a esse tipo de conteúdos, sem possibilidade de personalização.
- Realmente, não consigo imaginar um tempo em que uma pessoa não podia ter acesso a conteúdos a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer tipo de equipamento ou superfície.
- Que remédio, era o que havia… Quando tinha a tua idade, todas as casas tinham pelo menos uma caixa com um ecrã pequeno para ver conteúdos de vídeo linear e em duas dimensões. Chamava-se televisor.
- Experimentei alguns desses conteúdos que viam no tal televisor numa das simulações de realidade virtual em história do multimédia do oitavo ano. O nosso mestre disse-nos que as pessoas estavam limitadas a escolher entre um número muito reduzido de fluxos contínuos de vídeo, que chamavam de canais de televisão. Como se isso não bastasse, uma pessoa não podia interagir e participar, limitava-se a consumir os conteúdos. Ainda bem que não vivi nesse tempo, porque senão era um tédio! Livra!
- Está a entrar um holo-telegrama do meu neurologista. Deve ser por causa da inserção do implante no meu cérebro, para aumento de capacidades cognitivas e de memorização. Desta vez, vou pedir para colocarem colecções de conteúdos lineares do século XX: pedi cinema e séries de animação das décadas de oitenta e noventa.
- Depois mostra-me esses conteúdos jurássicos. Agora, vou desligar-me do holodeck. Tenho que ajudar o meu mestre a preparar uma simulação de debate com avatares de Damásio e Descartes. Liga-te à escola a partir das 16 horas, para acompanharem o debate. Beijos para ti e para o avô André! Até amanhã!





[…] de um artigo muito engraçado, do João Pedro Pereira, pode ser lido aqui. Tentei ligar-te, mas estavas imersiva. Ainda estou na plataforma ibérica e aguardo o módulo de […]
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