Recebi hoje um e-mail do leitor João Antunes com algumas referências interessantes. A primeira aponta para um artigo sobre a importância dos programadores informáticos numa redacção.
Pegando no exemplo de Adrian Holovaty, um programador com formação em jornalismo que actualmente trabalha no Washington Post, defende-se que a existência de programadores integrados numa redacção resulta num melhor produto informativo.
No cenário ideal, os programadores numa redacção teriam conhecimentos em jornalismo. Há duas hipóteses para isto: contratar informáticos que, por alguma razão, tenham tido actividades ligadas ao jornalismo; ou contratar jornalistas que saibam programar. Nenhum dos perfis será fácil de encontrar, mas o primeiro parece-me, apesar de tudo, mais provável.
Problemas de linguagem
Porquê esta necessidade de encontrar pessoas que tenham, pelo menos, alguma formação/experiência numa das áreas e sejam especializados na outra? Da minha experiência, eu diria que a principal vantagem seria anular os (por vezes complicados) problemas de comunicação entre jornalistas e informáticos.
Numa situação a que assisti recentemente, o jornalista diz ao informático qualquer coisa como “Precisamos de saber como editar páginas estáticas”.
Ora, por páginas estáticas, o jornalista referia-se a páginas que estavam fora do fluxo noticioso - ou seja, conteúdos que não eram notícias, como, por exemplo, ficha técnica, estatuto editorial ou demais informação não noticiosa que possa estar num site deste género. Mas, por páginas estáticas, o informático entendeu páginas cujo conteúdo não estivesse numa base de dados.
A confusão não foi grande e desfez-se rapidamente, mas é apenas uma pequena prova de que jornalistas e programadores têm dificuldades em falar a mesma linguagem.
HTML não chega
Diz-se no artigo, e eu concordo, que aprender HTML não é suficiente.
HTML é simples, há professores de jornalismo que ensinam alguns rudimentos da linguagem, mas a verdade é que os rudimentos de HTML não servem para grande coisa; isto assumindo, claro, que um jornal tem boas ferramentas de gestão de conteúdos que dispensem - como devem dispensar - que um jornalista perca tempo a aplicar manualmente formatações elementares como links ou itálicos.
O facto de as aptidões intelectuais da maioria dos estudantes de jornalismo estarem voltadas para áreas muito distantes da programação reforça a ideia de que será mais fácil encontrar programadores com alguma aptidão para a comunicação jornalística - ou, no mínimo, programadores que sejam ávidos consumidores de informação jornalística.
Bons conselhos
O segundo link enviado por João Antunes levou-me aos slides do que deve ter sido uma excelente apresentação, da autoria de Khoi Vin, director de design do site no NY Times. Está, literalmente, repleta de informação útil e excelentes conselhos.





Embutido != Embebido
“defende-se que a existência de programadores embebidos numa redacção resulta num melhor produto informativo.”
Concordo plenamente! Trabalha-se sempre melhor (em qualquer profissão), quando se pode embeber coisas :)
Comentário por vd — Março 11, 2007 @ 5:48 pm
Na verdade, não gosto de nenhum dos termos. Mudei… Isto de alternar continuamente entre o inglês e o português tem destas coisas…
Comentário por João Pedro Pereira — Março 11, 2007 @ 6:18 pm
Concordo que é difícil encontrar pessoas com formação em comunicação e conhecimentos de programação (ou que pelo menos entendam como funcionam os sistemas de gestão de conteúdos). Na minha turma eu era o único numa turma de 60 pessoas.
Mas nem sempre é assim. Cada vez será mais fácil compreender a programação que se usa. E para quebrar as barreiras de comunicação não é preciso ter conhecimentos muito profundos da matéria.
Comentário por Bruno Amaral — Março 11, 2007 @ 10:16 pm