O autor

Eu... João Pedro Pereira nasceu no Porto, morou em Santa Maria da Feira e estudou jornalismo em Coimbra. É jornalista do Público, em Lisboa. Está na blogosfera desde Dezembro de 2004, onde vai escrevendo sobre Media e Tecnologia.
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The Search: um excelente livro com uma má tradução

24 Março 2007

Sabemos que um livro é bom quando nos apresenta uma ideia nova e inteligente nas primeiras páginas.

Sabemos que uma tradução é má quando várias vezes paramos numa frase para pensar como estaria escrita em inglês; quando nos arrependemos de não ter comprado o original antes de chegar à página 30; quando as quase sempre irrelevantes notas de um tradutor assumidamente ciber-excluído remetem as bem mais pertinentes notas do autor para as incómodas últimas páginas do volume.

Comprei recentemente e só agora tive tempo para começar a ler The Search (curiosamente, o título não está traduzido), um livro do co-fundador da Wired John Batelle sobre a importância da pesquisa na Web.

Ainda não o terminei, mas grande parte do livro é (o autor di-lo logo à partida) sobre o Google. Grande parte, mas não todo. Por isso não se percebe que na versão portuguesa o sub-título seja “Como o Google mudou as regras do negócio e revolucionou a cultura” quando se lê no original (itálico meu) “How Google and it’s rivals rewrote the rules of business and transformed our culture”.

8 Comentários [comente]

  1. O tradutor desse livro não é um cyber-excluído mas sim um info-excluído… Muito erros de tradução… O que chamou-me atenção na altura foram as notas do tradutor, por exemplo, sobre o MBA, etc.

    A tradução é péssima, uma das piores que já vi.

    Comentário por Paulo Moura — Março 24, 2007 @ 9:20 am

  2. Como autor talvez o João discorde mas para mim faz sentido escrever “como o Google revol…” (sem rivais) porque para os portugueses os rivais de que fala battelle “não existem”. De resto as traduções são um problema crónico dos livros portugueses, ofereceram-me há alguns meses o Madagascar (para os catraios) e aquilo é de bradar aos céus.

    Comentário por António Dias — Março 24, 2007 @ 12:06 pm

  3. Engraçado ter-me deparado com este post…
    Sou estudante de tradução(com aquela visão de estudante edilica de quem vai revolucionar o mundo das traduções…), e tenho que encontrar uma “má” tradução para rever, no ambito de uma cadeira. Gostava de saber se me pode indicar quem foi o tradutor dessa obra.
    Obrigada

    Comentário por Filipa — Abril 10, 2007 @ 8:30 pm

  4. Filipa,

    Ainda não tive tempo de ver o nome do tradutor, mas indico-o em breve.

    Comentário por João Pedro Pereira — Abril 11, 2007 @ 3:29 pm

  5. Agradeço-lhe imenso!

    Comentário por Filipa — Abril 11, 2007 @ 11:14 pm

  6. A tradução é de Oscar Mascarenhas.

    Comentário por João Pedro Pereira — Abril 13, 2007 @ 1:09 am

  7. Muito obrigada pela informação. Tenho alguma curiosidade em saber (ainda não comprei o livro, embora o vá fazer em breve) se achou que toda a versão portuguesa está mal traduzida, ou se as incorrecções são pontuais. Como aspirante a tradutora profissional, lamento que com tanta gente de talento na profissão ainda entreguem estes trabalhos a pessoas com poucos conhecimentos nas areas temáticas e mesmo na tradução em si. Sim, porque qualquer bom tradutor tem o dever de se remeter à sua insignificância quando acha, ainda que por breves instantes, que não tem competência para traduzir em determinadas areas terminológicas…

    Comentário por Filipa — Maio 8, 2007 @ 11:51 pm

  8. Caros João Pedro Pereira, Paulo Moura e Filipa

    Só hoje (23/09/2007) me alertaram para as fortes críticas que me faziam pela minha tradução do livro de John Battelle sobre o Google. É raro mas, às vezes, acontece que as más notícias chegam muito depois das boas. A boa notícia tinha-me chegado há muito, numa crítica do (julgo que) exigente Torcato Sepúlveda que, da tradução do livro, dizia algo como: «Cuidadosamente traduzido e anotado por Oscar Mascarenhas». Paulo Moura acha que «a tradução é péssima, uma das piores que já viu». E cita a nota de rodapé sobre MBA. Transcrevo-a, para os leitores do blogue fazerem o seu juízo: «Master of Business Administration, grau académico que em Portugal se situaria entre o bacharelato e a licenciatura em Gestão.»
    João Pedro Pereira acha irrelevantes as notas do tradutor e protesta contra o facto de as notas do Autor aparecerem no final do livro.
    Admito. Mas para quem não saiba tanto como João Pedro Pereira sobre as matérias versadas no livro, as notas podem ter sido relevantes: assim pensei eu e comigo concordou o Torcato Sepúlveda. Quanto às notas de Battelle terem saído no fim do livro, só posso dizer que foi assim que o Autor fez no original.
    De João Pedro Pereira, já não posso discordar do que diz sobre o título: apenas preciso de informar que os títulos e subtítulos não são da responsabilidade do tradutor. São objecto de negociação entre o editor e o representante do Autor. (Ainda há pouco tempo o Rui Zink me dizia que autorizou que o seu livro «O Suplente» fosse publicado no Brasil como «O Reserva», porque o editor brasileiro disse que de outro modo ninguém perceberia do que se estava a falar…) Se o livro em inglês se chama The Search e em português se chama The Search, começo a pensar que, afinal, faltou-me apor uma RELEVANTE nota logo na capa: «Este título não é da responsabilidade do Tradutor.»
    Com a consideração do ciber-excluído, info-excluído e o que demais vos aprouver
    Oscar Mascarenhas

    Comentário por Oscar Mascarenhas — Setembro 23, 2007 @ 5:09 am