Aqui estão, publicados na parceira Wired, os primeiros resultado do Assigment Zero, um projecto de Jay Rosen que pretende explorar novas formas colaborativas de fazer jornalismo.
Já defendi que o jornalismo open source falha; e que arrancar para um projecto destes tendo precisamente como tema a abordar o próprio jornalismo open source é uma forma muito enviesada de querer concluir o que quer que seja.
Interessante é notar uma das conclusões a que o projecto chega: o jornalismo open source é difícil.
I wouldn’t say it’s easy for widely scattered people working together voluntarily on the net to report on a big story unfolding in many places at once. But we know a lot more about it now than we did when we started, and one of the goals of Assignment Zero was to test whether pro-am methods had potential. I think they do, but we haven’t really unlocked it yet. We are, however, getting closer.
Simplesmente, não é razoável querer que amadores e profissionais colaborem da forma estruturada que é necessária para produzir bom jornalismo.
Veja-se, a propósito da falta de viabilidade destes modelos, o fracasso do Bayosphere e do Backfence, ambos do guru do jornalismo participativo/cidadão/open-source, Dan Gillmor.
Nota: Até início de Agosto, as actualizações no Engrenagem serão esporádicas.





JP, é minha impressão ou estás com um discurso muito “Andrew Keen” (The Cult of The Amateur).
Creio que as formas de colaboração online não se podem enquadrar dentro dos moldes institucionais do jornalismo tradicional. É difícil sim, mas possível.
Não sei se a “Peer Production” vai chegar tão rápido aos jornais como deveria, mas é uma mudança de fundo que irá acontecer.
A business week tem um artigo interessante a ler.
Abraço!
Comentário por Armando Alves — Julho 11, 2007 @ 2:30 am
Não - terminei há pouco tempo o livro de Keen e não concordo com boa parte do que lá está escrito (aliás, publicarei em breve uma crítica).
Nota que estou a falar de jornalismo - não de todos os conteúdos produzidos por amadores.
Basicamente, creio que só há duas situações em que o jornalismo não profissional pode ser viável:
1) Quando não há liberdade de imprensa.
Nestes casos, a possibilidade de expressão actua como recompensa bastante para que um amador se sujeite ao trabalho e regras que o jornalismo implica (e, salvo excepções, sem ter seguido determinadas regras de produção dificilmente um trabalho pode ser considerado jornalístico).
2) Quando o amador é pago (e aqui a linha entre amador e profissional começa a esbater-se).
Se é remunerado, tem um incentivo para, pelo menos, tentar fazer jornalismo de facto - de outra forma, não receberá o dinheiro.
Em suma: o entusiasmo (que tem vindo a arrefecer) em torno do jornalismo-cidadão/open source baseia-se no pressuposto (por parte de jornalistas e académicos) de que toda a gente acha imensa piada e está interessadíssima em fazer jornalismo. O que é falso.
Com as devidas excepções, os utilizadores com acesso à massificação que a Internet permite querem sobretudo opinar, comentar, discutir - isto não pode ser considerado jornalismo.
Não quero dizer que alguns desses contributos não sejam válidos para a discussão pública. É apenas errado chamar-lhe jornalismo.
Comentário por João Pedro Pereira — Julho 11, 2007 @ 12:20 pm
Concordo com o teu ponto 1, mas quanto ao ponto 2, estás a sugerir que um jornalista só o é porque é pago? Quando não é pago deixa de o ser? E para além disso discordo quando falas do amador. Se é jornalista amador não deixa de ser jornalista. Se te referes antes a um cidadão “não jornalista” então porque deveria ser pago como jornalista?
Comentário por David Rodrigues — Julho 19, 2007 @ 2:39 am