Já por um punhado de vezes me mostrei fã do WordPress. Quando o estou a implementar num site, gosto da simplicidade, da facilidade em criar templates, do muito abundante número de plug-ins para quase todas as necessidades - e, claro, da flexibilidade que permite que sirva como gestor de conteúdos para um site que não seja um blogue.
Por várias razões, penso que o WordPress (WP) é, em muitas circunstâncias, a escolha certa como sistema de gestão de um site noticioso. Em Portugal, temos o caso recente da Meios&Publicidade.
Sem mais delongas, eis cinco vantagens do WP, relacionadas com necessidades muito específicas da actividade jornalística:
1. A organização dos utilizadores
O sistema de hierarquias que o WP permite é ideal para mimetizar a organização de uma redacção.
É possível criar utilizadores que podem submeter textos, mas não publicá-los (serviria para colunistas ou colaboradores externos e ocasionais); outro nível permite a publicação e edição dos próprios textos (redactores); um nível mais avançado autoriza a edição dos textos dos outros e gestão de comentários (para editores e chefes de redacção); e, por fim, há os administradores.
2. Hierarquização de notícias
Tendo sido feito para blogues, os artigos no WordPress são apresentados normalmente por ordem cronológica inversa. Isto, claro, é alterável. E alguns plug-ins facilitam o trabalho.
O Custom Query String é uma forma simples de definir o número de artigos que aparecem em cada secção do site. É útil para configurar páginas como os arquivos mensais, por exemplo.
Já o Category Visibility permite excluir categorias com base na página (primeira página, arquivo, ficheiro RSS) e nível do utilizador que a visualiza.
Combinados, estes dois plug-ins permitem uma boa dose de configuração do site. Porém, não servem para criar manchetes - o que é essencial num site noticioso.
Para introduzir manchetes no WP - isto é, notícias que permanecem em lugar de destaque, independentemente dos artigos que forem introduzidos depois - conheço duas possibilidades: o Adhesive e o Sticky Post. É uma questão de gosto (ou do que funcionar melhor consoante a versão do WP em uso).
3. Editor de texto fácil e configurável
Por razões várias (mas sobretudo pelo hábito), eu prefiro o editor de texto simples. Mas o TinyMCE, o editor de texto WYSIWYG do WP, é uma mais valia para quem quiser um sistema que seja usado por muitas pessoas habituadas a escrever no Word e que não têm paciência para aprender HTML (na verdade, um jornalista não deveria ser obrigado a isso) .
Já usei o TinyMCE fora do WP e sei que se trata de um script altamente configurável. Quem se quiser dar ao trabalho pode mesmo definir botão a botão as funcionalidades disponibilizadas. Mas eu diria que aquilo que vem de raiz no WP chega bem para as necessidades dos jornalistas (nota: um simples atalho de teclas mostra uma nova barra de funções).
4. A dupla categorização
Penso que a organização ideal dos artigos num site noticioso necessita de dois tipos de categorização: a secção (algo como Política, Internacional, Cultura, Desporto, etc) e aquilo a que podemos chamar género (Notícia, Reportagem, Opinião, Entrevista, Crónica, Editorial).
O sistema de categorias do WP funciona bem para isto. Vejamos a questão em (grande) pormenor (ou salte para o próximo ponto que não estiver interessado nos detalhes):
Criando categorias para cada um dos géneros e secções, é fácil fazer com que um determinado artigo seja, por exemplo, uma Notícia em Internacional.
Mais: o WP permite a atribuição de um qualquer número de categorias a um post; logo (o que é útil), um artigo pode ser uma Notícia e estar simultâneamente nas secções de Internacional e Cultura (até é possível classificar um artigo como Notícia e Reportagem, mas isto dificilmente faria sentido).
Neste esquema, contudo, não há nenhuma distinção ao nível da base de dados entre as secções e os géneros. O WP considera-os a todos como categorias indistintas, o que, sendo contornável, obriga a mais algum trabalho (e a perda de flexibilidade) no site - por exemplo, quando se pretende que as secções surjam todas listadas automaticamente.
Uma alternativa simples é criar a categoria Géneros com as respectivas sub-categorias e fazer o mesmo com a categoria Secções. Uma vez que o WP permite facilmente a listagem de sub-categorias, o problema fica resolvido.
5. Leitor RSS integrado
Um excelente plug-in chamado MyDashboard permite configurar a primeira página da área de gestão, ao estilo do NetVibes. Uma das funcionalidades deste plug-in é poder acrescentar feeds RSS:

Isto permitiria a cada jornalista ter o seu painel de leituras na própria ferramenta de trabalho. Para além das vantagens óbvias, esta funcionalidade traria o (significativo) benefício de introduzir alguns jornalistas ao uso de RSS…
Como o título indicia, tenho outras cinco razões para que o WP seja uma solução a considerar para sites noticiosos. A bem do meu tempo de lazer e da legibilidade deste artigo, ficam para outra ocasião.
Uma última nota: nem tudo, evidentemente, são vantagens. A título de exemplo, um jornal teria sérias dificuldades em integrar o WP com a sua ferramenta da edição impressa. E presumo que o mesmo aconteça com outros órgãos que tenham presença para lá da Web.
Também existem, claro, imensos outros gestores de conteúdos online disponíveis - e muitos têm vários pontos fortes.
As cinco características apresentadas têm a ver com a rapidez de implementação do que julgo serem questões essenciais num site noticioso, e com a facilidade de uso do ponto de vista do utilizador-jornalista. Como qualquer informático certamente me dirá, estes não são os únicos factores a considerar.





Às 5 vantagens que (muito justamente) destaca, talvez fosse de acrescentar - através de pluggin - uma outra que é combinação de duas delas (2 e 5): incluir conteúdos dinâmicos (por exemplo) em posts ou em páginas, através do EXEC-PHP.
Comentário por JPG — Agosto 14, 2007 @ 3:12 pm
O M&P é também a primeira publicação que aceita trackbacks de blogs e comentários com link para o site de quem comenta (talvez isto seja útil). Não tenho a certeza que tenha sido planeado, será talvez mais circunstância da opção pelo WP mas merece também ser realçado, quando os outros nem sequer incluem um link para o technorati (ex: technorati 2 links for…)
O problema com este tipo de tecnologia é que sendo os utilizadores mero jornalistas eles nunca o vão utilizar em todas as suas potencialidades. Voltando ao exemplo da M&P invariavelmente verifico a coluna da esquerda e leio “não há tags”…
Comentário por António — Agosto 14, 2007 @ 5:20 pm
O JornalismoPortoNet já utiliza há muito tempo uma plataforma de blogs como base (neste caso, o Movable Type), e tira bem partido disso.
Comentário por Filipe Correia — Agosto 15, 2007 @ 9:19 pm
João Pedro, bom trabalho!
Duas notas meio on. meio off topic:
António, o Expresso já aceita trackback pings há mais de um ano, embora não no conteúdo transposto do papel;
Filipe Correia, o JPN nunca é considerado como OCS… O que na minha opinião é um erro. É um projecto excelente. Lá por não ser um jornal organizado comercialmente e ser produzido por estudantes, não lhe tira a qualidade. Que, neste meio, é muita.
Comentário por Paulo Querido — Agosto 16, 2007 @ 6:20 pm
[…] João Pedro Pereira, no seu Blogue “Engrenagem - Média & Tecnologia” dá-nos 5 (boas) razões para o uso do Wordpress em sites noticiosos, fazendo assim realçar […]
Pingback por 5 razões para usar o WordPress em sites noticiosos « Teknomátika — Agosto 22, 2007 @ 11:11 am
Eu mudei do Blogger (o serviço do Google) para o Wordpress quando fui colaborar no Hotvnews. Desde aí, a milha experiência como blogger (redactor) nunca mais foi a mesma. Infelizmente uso a versão .com, que não tem tantas vantagens como a .org, mas caraças, aquilo é excelente!
E o que eu gosto mais é o facto de termos incorporado um contador de visitas, o que evita a que tenhamos de recorrer a contadores externos, ou seja, possível spyware.
Comentário por Manuel Reis — Agosto 23, 2007 @ 3:48 pm