A BBC avançou com uma redacção multimédia integrada, que trabalhará para o site, televisão e rádio.
O chefe de redacção (head of newsroom), Peter Horrocks, deixa entrever algumas das lógicas por trás da decisão:
This new structure will help us to be more efficient and so save money to invest in improvements to BBC News. We will be putting more into on-demand news – for instance developing content for new platforms such as mobile and IPTV; increasing personalisation and providing purpose-made audio/video for the web.
A necessidade de publicar na Web (muito mais do que para telemóveis ou outros suportes ainda minoritários no que diz respeito ao acesso à informação) trouxe uma necessidade de reorganizar redacções que tem sido um dos grandes desafios de quem gere órgãos de comunicação.
O problema é que, à altura das primeiras tentativas, ninguém parecia saber como fazer a necessária reorganização. E, se é certo que já foi ultrapassada a fase de puro experimentalismo, também é facto que ainda não é absolutamente claro qual a opção mais eficaz: manter redacções separadas, avançar para a integração completa ou quedar-se por uma qualquer solução intermédia.
A integração, sublinha Horrocks, traz riscos:
The downside could be a narrowing of the range of stories we cover, with less coverage that is distinctive and tailored for each medium
Convém lembrar que há uma grande divergência de estruturas entre os órgãos de diferentes meios. Nos jornais, dada a maior similitude de práticas jornalísticas na produção para o papel e para a Web, a integração poderá ser mais facilmente alcançada (o que não quer dizer que seja fácil).
No caso das televisões, será interessante, por exemplo, ver os resultados da recente opção da SIC.
Juntam-se a estas diferenças as especificidades nacionais e as lógicas dos grupos de comunicação que integram vários órgãos - factores a impedir que se encontrem soluções “pronto-a-usar” para o desafio do online.
O principal obstáculo, contudo, parece ser a própria evolução do uso tecnologia: ainda os jornalistas se estavam a tentar adaptar à escrita para a Web, quando surge a moda do multmédia; quando muitos sites ainda não embarcaram na era dos vídeos e animações interactivas, está a Web social, com as suas comunidades online e audiências (muito) participativas, a colocar novos problemas.
De qualquer forma, creio que ainda antes do final da década a maior parte das redacções já tenha sido re-estruturada e terão sido encontrados por alguns órgãos os melhores modelos de funcionamento. Muitas redacções (a do NY Times e a do Guardian, por exemplo) já estão numa fase de maturação neste processo de transição. As experiências mais sólidas e bem sucedidas acabarão por ser replicadas à escala global.
Então, a não ser que que surja algo com um impacto nos hábitos de acesso à informação semelhante ao resultante da massificação do acesso à Internet, haverá algum descanso da azáfama organizativa que tem agitado o meio na última meia dúzia de anos.




