Durante a apresentação do seu livro “Sigilo Profissional em Risco - Análise dos Casos de Manso Preto e de Outros Jornalistas no Banco dos Réus”, a jornalista da Lusa Helena de Sousa Freitas afirmou que os tribunais obrigam os jornalistas a revelarem o que sabem por “preguiça”:
Segundo Helena de Sousa Freitas, as pressões acontecem porque a justiça «fica irritada por ter de ser ela a investigar», quando, se o jornalista se predispusesse a abrir o livro, ficaria «com a papinha toda feita».
«Há aqui um bocadinho de preguiça [dos tribunais]», sublinhou.
Nota: O título do Sol - “Preguiça leva tribunais a pressionar jornalistas a revelarem fontes” - parece-me um pouco assertivo de mais. Sem sub-títulos ou ante-títulos e sem recurso a aspas, reveste a ideia de Sousa Freitas de um carácter de facto, quando se trata de uma opinião (obviamente discutível), de alguém que, é certo, estudou o assunto.





Realmente, o título pode induzir em erro.
Eu tive acesso à versão original, divulgada pela Lusa, onde Helena de Sousa Freitas afirma, referindo-se à situação concreta vivida por Manso Preto: “Pareceu-me uma condenação muito injusta, porque, neste caso, o poder judicial, com toda a máquina de que dispõe, poderia perfeitamente ter acedido à informação que pretendia pelos seus próprios meios, sem obrigar o jornalista a quebrar o sigilo profissional”.
Ao que percebi, foi com base no caso de Manso Preto e no de outros jornalistas portugueses que estão a ser “encostados à parede” que ela lamentou que a justiça desrespeite o sigilo profissional sem ter em conta a gravidade de tentar forçar um profissional da comunicação a denunciar o nome de alguém a quem prometeu confidencialidade.
E, depois, o que acontecerá à fonte revelada? Quem a protegerá dos perigos que a levaram a querer manter-se no anonimato?
Para já não falar no desprestígio (talvez até o fim da carreira) para o repórter denunciante e para toda a classe jornalística…
Comentário por João Santos — Janeiro 17, 2007 @ 7:45 pm