O El Mundo.es disponibiliza os seus RSS feeds para quem quiser construir qualquer tipo de aplicações [visto no eCuaderno]. Não é a primeira iniciativa do género. Só a título de exemplo, o Google também permite que as suas imagens de satélite sirvam de base a aplicações, que podem ser desenvolvidas por qualquer pessoa.
Coloco a questão: será que o crescimento do RSS e o aparecimento deste tipo de iniciativas pode matar os sites num futuro não muito distante?
Quando os jornais impressos ainda subsistem e a informação online aumenta (em credibilidade, acessibilidade, popularidade, diversidade e, sobretudo, quantidade) poderá parecer ridículo dar aos sites uma aparentemente tão prematura sentença de morte.
Mas o certo é que o RSS já rouba visitas às páginas e há cada vez mais gente a aceder a conteúdo através de aplicações e serviços baseados na Web: leitores de RSS, páginas personalizáveis… O futuro da informação online pode muito bem passar por enterrá-la sob uma nova camada da Web - uma “RSS based web”, capaz de usar a tecnologia de sindicância para fazer a ligação (de uma forma mais personalizada e “feature rich”) entre o conteúdo e o receptor do conteúdo.
Já não falta quem diga que o RSS pode fazer pela Web o que a Web fez pela Internet. Creio que, apesar de tudo, a ideia de combinar o hipertexto e uma rede global de computadores foi mais revolucionária do que o RSS poderá ser. Tim Berners-Lee criou algo novo. Esta nova “RSS based web” está a ser construída em cima da Web, tal como a Web foi construída sobre a Internet. Mas, em termos de funcionalidade, o RSS herda muito mais da Web do que esta herdou das anteriores práticas de utilização da Internet - a começar pela centralidade do browser em todo o processo.
Esboço aqui um futuro em que todos os sites poderão ser uma espécie de versões sofisticadas deste blog. Quem morre no processo? A tradicional página/site.
A disponibilização de ficheiros RSS já é prática comum. Quando estes puderem ser usados liveremente na construção de aplicações, não há razão para que as grandes empresas não desenvolvam sistemas que permitem ao utilizador subscrever qualquer tipo de conteúdo sem sequer precisar de um contacto directo com a fonte.
Quem não estiver satisfeito com as aplicações mainstream pode sempre - e isso quase certamente aconteceria - desenvolver as suas próprias. Gerar-se-ia um fenómeno semelhante ao dos sistemas operativos. Quem está descontente com o Windows, pode optar por uma qualquer distribuição de Linux, ou, caso tenha os conhecimentos técnicos suficientes, desenvolver a sua própria. É claro que não haverá grandes razões para a maioria das pessoas não aderirem aos “Windows do RSS”, excepto o mesmo (quixotesco?) sentimento anti-imperialista que anima muitos utilizadores e programadores de Linux.
Esta “RSS based web” seria apenas uma parte de uma “service based web”, composta ainda de todo o tipo de aplicações: “offices”, arquivos e gestores de ficheiros, e-mail, VoIP, instant messaging… Este cibermundo, para além dos tradicionais sites, mataria também muitas das aplicações actuais, que correm a partir do PC dos utilizadores. Subsistiria o sistema operativo, o browser e pouco mais.
Improvável? Talvez. As grandes mudanças dificilmente são anetcipadas. Pode ser que o futuro da Web não seja absolutamente nada do que aqui foi descrito. Mas será certamente muito diferente do que é hoje. A (r)evolução está em curso. Basta navegar - enquanto isso ainda for prática corrente - pela Web para perceber isso.




