Steve Rubel defende que o e-mail e os blogs estão a mudar a forma como são feitas as entrevistas para os media. O processo, diz Rubel, torna-se mais transparente, porque muitas entrevistas são feitas por e-mail e a fonte mantém um registo de todas as respostas que deu - este registo é, por vezes, publicado num blog.
Antes de mais, duas ressalvas: 1) embora o e-mail seja de facto cómodo, há circunstâncias em que o cara-a-cara (ou pelo menos o contacto telefónico) é de longe preferível; 2) há meios que, pela sua natureza, nunca poderão abdicar das tradicionais formas de entrevista
Também a mim já me aconteceu fazer uma entrevista por e-mail, usar parte das respostas no artigo que escrevi e depois ver a entrevista publicada no blog do entrevistado.
Parece-me que a alteração mais interessante que este novo tipo de entrevistas traz é o facto de dar ao público a possibilidade de comparar o que a fonte diz com o trabalho final do jornalista, ficando aquele na posse de mais dados para melhor ajuizar sobre a qualidade do trabalho produzido.
De resto, Rubel avança com a possibilidade de novas entrevistas em formato de discussão alargada na blogosfera, o que já me parece bem mais difícil de concretizar:
For instance, what if reporters posted their questions out in the ’sphere and allowed prospective sources to respond either in comments or by linking to/trackbacking the post. This would give the reporter potentially infinite sound bites and anecdotes to choose from. Even better, they could let us vote for the best quotes as they come in.





O que parece distinguir as “novas entrevistas” das “outras” é o desaparecimento da espontaneidade e improvisação intrínsecas que a entrevista supostamente encerrava.
Não sei se isso é bom se é mau, o que sei é que a proximidade é cada vez mais distante. Inexoravelmente.
Comentário por VSousa — Agosto 12, 2006 @ 2:46 pm