O autor

Eu... João Pedro Pereira nasceu no Porto, morou em Santa Maria da Feira e estudou jornalismo em Coimbra. É jornalista do Público, em Lisboa. Está na blogosfera desde Dezembro de 2004, onde vai escrevendo sobre Media e Tecnologia.
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Comentários

A opinião dos leitores:
::: francisquinha: nunca será a mesma coisa... nunca!!! »
::: Teagah Beck: Seria um textinho perfeito se já não existisse o livro 1984. Vcs não lêem porra nenhuma e concordam com essa ficção como se... »
::: Marcos Galinari: Parabens pelo conteúdo do blog. Marcos Galinari argumentista www.marcosgalinari.blogspot.co m »
::: Carlos José Teixeira: Aguardando... »
::: renato: Pois eu também entrei nesse proesso de recrutamento, mas fiquei pela 1ª entrevista telefonica. »

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Cuba: Hoje é dia de ir à Internet

Nas universidades cubanas, cada departamento tem um dia da semana para que os alunos acedam à Internet. O uso dos computadores tem que ser justificado e muitos sites estão bloqueados. Nas escolas e bibliotecas, o cenário é semelhante. Nas casas particulares é quase impossível aceder à Rede sem ser ilegalmente e pagando em dólares a quem esteja disposto a ceder o nome de utilizador e palavra-passe de uma ligação.

“Em Cuba é muito difícil usar a Internet. O estado tem tudo muito, muito bem controlado”, recorda um médico cubano, radicado em Portugal, e que, com meias palavras, diz preferir manter o anonimato: “Tenho lá família e, nestas coisas, sabe como é…”

Tanto para comprar um computador, como para obter uma ligação particular à Internet é necessária uma autorização do governo. Para um estrangeiro, é fácil obter permissão, mas a um cubano esta só muito raramente é concedida. As excepções são os altos funcionários públicos, oficiais do exército e investigadores universitários. A maioria dos computadores pessoais é, por isso, montada com peças compradas ilegalmente e o acesso privado à Internet faz-se com contas destinadas a outros fins.

Uma das formas mais comuns é comprar os dados a funcionários públicos ou informáticos que trabalham em hotéis, onde existem pontos de ligação para turistas. “O informático quer ganhar algum dinheiro e vende as contas dos hotéis por 20 ou 30 dólares por mês”. Existem ainda ciber-cafés, mas uma hora de acesso custa cerca de três dólares, um custo proibitivo para um cubano.

Legal ou ilegalmente, o preço para se ligar ao resto do Mundo num país onde o salário mínimo equivale a cerca de dez dólares está muito longe do alcance da maioria. “Só as pessoas que têm familiares no estrangeiro e que recebem remessas de dinheiro é que conseguem pagar.”

O governo admite bloquear sites pornográficos, xenófobos ou racistas, mas nega exercer qualquer censura sobre o resto dos conteúdos. A versão oficial é a de que os poucos recursos de Internet (uma situação cuja culpa é posta nos EUA, uma vez que o embargo obriga ao uso de ligações por satélite em vez das mais baratas ligações por cabo de fibra óptica) estão a ser geridos de forma a que possam ser aplicados em áreas prioritárias, como a educação e a saúde.

Esta política governamental é vigiada cuidadosamente pelas autoridades: “Tenho a certeza de que o Estado sabe quando há muitas pessoas a aceder ilegalmente.” Cuba, contudo, parece não ir tão longe como outros países na punição destes delitos informáticos. Caso os utilizadores sejam descobertos, todo o material informático que possuam é simplesmente confiscado. “De prisões, nunca ouvi falar.”