Não resisti a interromper a recém-declarada pausa para algumas considerações sobre o site do jornal Sol (a versão impressa chegará amanhã às bancas).
Blogues, fóruns e citizen journalism
O aspecto positivo que mais rapidamente me saltou à vista foi a forte aposta num sistema de comunidade.
O site do Sol oferece a possibilidade de os utilizadores criarem o seu próprio blogue. O sistema de publicação pareceu-me simples e agradável de usar e os blogues ocupam espaço de destaque na estrutura do site.
O único senão aqui é a forma de navegação pelos blogs (que surge logo no topo do site, abaixo do cabeçalho): demora demasiado tempo a percorrer todos os blogues (o sistema é ainda mais lento em Firefox do que em Internet Explorer) e quando o número de bloggers aumentar vai ser praticamente impossível navegar pela lista de forma eficaz.
A página de blogues (que me parece bem conseguida, com listas dos mais visitados e dos posts mais comentados) é uma melhor forma de navegar nestes espaços.
Junte-se a isto os fóruns, a promessa de uma página pessoal para os utilizadores e, sobretudo, de um sistema de “citizen journalism” que se alargará à edição impressa, e o Sol está bem posicionado para vencer a concorrência no que diz respeito a uma interacção simbiótica com os utilizadores: concursos de Sudoku, artigos, fotos e reportagens enviadas pelos leitores, o convite a votar nos filmes em cartaz…
Multimédia
Outro aspecto positivo é a existência de uma galeria multimédia logo na primeira página e de fotos grandes (que os constrangimentos de largura de banda já são coisa do passado).
As galerias multimédia, contudo, ficam-se mais pela intenção do que pela eficácia. Dei-me ao trabalho de as experimentar em Firefox 1.5 e Internet Explorer 6, em Windows, e funcionavam mal em ambos: no browser da Microsoft, em lugar das fotos ampliadas, surgia um espaço em branco; em Firefox, premir as setas para navegação sequencial de imagens não surtiu qualquer efeito. Um bug sério, que mostra a falta de testes de compatibilidade.
Não há sinal, para já, de conteúdos em vídeo, áudio ou de infografias animadas.
Estrutura e design
No design e estrutura do site há algumas opções questionáveis.
A mais óbvia são os quatro separadores laterais, que obrigam (para os utilizadores de resoluções de 1024×768) a um scroll completamente desnecessário. Seria possível, sem dificuldades, manter a navegação toda no primeiro ecrã.
Ainda no que à navegação diz respeito, gostei dos menus “desdobráveis” que surgem quando se entra na página de uma secção. Para além de permitirem chegar facilmente a qualquer notícia e ter uma visão global do que são os últimos artigos publicados, este menu surge do lado direito, dando ao site um look and feel algo próximo da estrutura habitual de um blogue - um factor positivo, já que cada vez mais pessoas estão habituadas a esta forma “standard” de navegação.
Já o cabeçalho, semelhante ao do jornal impresso, é um exemplo de como o que pode funcionar bem no papel nem sempre resulta no ecrã. Há demasiado espaço branco, o logo ao centro é, no mínimo discutível, e a data surge completamente desgarrada, forçando a que o utilizador pouse nela os olhos antes mesmo de chegar ao logo. Porquê tanto espaço branco em volta da data? Será assim tão importante informar os leitores do dia em que estão?
Diga-se que, por força de um banner publicitário, as páginas interiores do site apresentam apenas um logo muito pequeno, à esquerda, seguido da data.
Potencial de interacção
Aplicando a minha adaptação da tabela de Schultz, o Sol obtém nove pontos (num máximo possível de 20), o que o coloca em quarto lugar da lista então elaborada, atrás do Portugal Diário, Mais Futebol e Publico.pt.
No entanto, como referi na altura, a existência de mecanismos de interacção não garante, por si só, que esta exista. O bom aproveitamento de um mecanismo - ou de um número restrito deles - é determinante. E o Sol está no bom caminho para desenvolver uma forte interacção com os utilizadores.
Notas finais
Agradável à vista, de fácil leitura e navegação, o site do Sol é um produto, globalmente, bem conseguido.
Estará, no entanto, à altura da concorrência?
Ao comparar o site do Sol com o do Expresso, ressalta uma certa simplicidade do primeiro. A ausência de inquéritos/votações e a inexistência, para já, de conteúdo áudio e vídeo são falhas desnecessárias num site que nasce quase em finais de 2006.
A forte aposta na interactividade com o público, no entanto, é uma jogada inteligente e responde aos desafios que a comunicação horizontal na Web impõe aos media, mais habituados a formas de comunicar verticais e hierarquizadas.





[…] E é isso mesmo que penso depois de perder umas horas de volta de tanto papel. O Sol é, apesar da aparência garrida, um produto conservador e não traz nada de fundamentalmente novo ao jornalismo nacional (a excepção poderá vir da sua presença online; a ver vamos). Mas, dito isto, pode mesmo tornar-se numa história de sucesso. E o jornalismo até pode ter muito pouco a ver com isso. […]
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[…] Adenda: O João Pedro Pereira tem uma análise bem mais interessante no Engrenagem. […]
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